Gaeco deflagra Operação Convergência Nacional em Formosa e Entorno do DF contra o PCC. Investigação aponta que facção distribuía brinquedos para ganhar apoio social.
Fonte:Texto: Gaeco – Edição: Ascom / Ministério Público de Goiás)
Célula do PCC em Formosa monitorava a polícia e planejava tráfico de armas
O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) a Operação Convergência Nacional – Goiás. O objetivo principal é desmantelar uma célula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que vinha expandindo sua atuação na região de Formosa e no Entorno do Distrito Federal. A ofensiva em solo goiano faz parte de um cerco nacional coordenado pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que mobiliza Ministérios Públicos de vários estados em um esforço conjunto contra o crime organizado em todo o país.
Prisões e buscas na região de Formosa e adjacências
Ao todo, os agentes saíram às ruas para cumprir 10 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão temporária. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Goiânia. De acordo com as investigações, o grupo criminoso estava fortemente estabelecido no município de Formosa e em cidades vizinhas. A estrutura da facção na região estava desenhada para garantir o domínio territorial e a imposição do medo. Entre as atividades monitoradas pelo Gaeco, destacam-se:
- Espionagem e monitoramento da rotina das forças de segurança locais;
- Planejamento e logística de distribuição de drogas entre diferentes pontos de venda;
- Articulação para a compra de armas de fogo de grosso calibre para subsidiar as ações do grupo.
Brinquedos como estratégia de poder social
Um dos detalhes mais alarmantes revelados pela investigação do MPGO foi a tentativa da facção de criar uma espécie de “rede de apoio” com os moradores locais. Sob a supervisão de lideranças que cumprem ordens de fora do estado, os criminosos promoviam a distribuição de presentes e brinquedos para crianças em bairros periféricos.
Segundo os promotores do Gaeco, a entrega de presentes não era um ato de caridade, mas sim uma estratégia clara de cooptação social, usada para conquistar a simpatia da comunidade e dificultar o trabalho da polícia.
Próximos passos e base legal
Os suspeitos devem responder por crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de armas de fogo, lavagem de capitais e por infrações previstas na Lei nº 15.358/2026 (o recém-instituído Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil).
A operação contou com o apoio da Polícia Militar, da Polícia Penal de Goiás, além dos Gaecos de Minas Gerais e do Distrito Federal, e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da PCDF. Todo o material recolhido nas buscas passará por perícia técnica. O caso segue sob sigilo de Justiça, e as denúncias formais serão apresentadas pelo Ministério Público nos próximos dias.
Até a última atualização desta reportagem, o portal de notícias digoiasedf.com.br não localizou a defesa dos investigados, uma vez que a lista oficial com os nomes dos alvos da operação não foi divulgada pelas autoridades devido ao sigilo judicial do processo. O espaço segue aberto para manifestações assim que houver a identificação formal dos envolvidos ou de seus representantes legais.