PM Ambiental identifica abatedouro clandestino em Cabeceiras; carne era vendida em açougues da cidade
🕒 Atualizado em: 9 de outubro de 2026 às 09:55
Fiscalização encontrou couros bovinos, restos de animais e estrutura de abate em propriedade rural; responsável reconheceu que o local não tinha licença ambiental
Uma fiscalização da Polícia Militar Ambiental identificou indícios de funcionamento de um abatedouro clandestino em uma propriedade rural no município de Cabeceiras, no Entorno do Distrito Federal. Segundo o registro policial, a carne de bovinos abatidos no local era destinada à comercialização nos açougues da família na cidade, apesar da ausência de licença ambiental para a atividade.
A ocorrência foi registrada na tarde de quarta-feira (7 de outubro), por volta das 14h40, no Assentamento Lagoa das Pedras, nas proximidades do Parque de Vaquejada Djalma Paraíba. A equipe do Batalhão de Operaçõesmbientais da Polícia Militar de Goiás (PMGO) chegou ao imóvel após receber uma denúncia sobre a realização de abates clandestinos de bovinos.
Fiscalização encontra estrutura utilizada para abate de bovinos
No imóvel rural, os policiais encontraram uma estrutura aparentemente utilizada para o abate e o processamento de animais. Entre os materiais localizados estavam facas, machado, recipientes para acondicionamento de carne e equipamentos empregados para suspender carcaças durante a desossa.
A equipe também identificou um curral com aproximadamente 20 cabeças de gado mantidas em confinamento, com disponibilidade de água e alimentação.
Durante a vistoria, os militares encontraram diversos couros bovinos submetidos à salga e uma cabeça de gado em avançado estado de decomposição. Conforme o registro da ocorrência, o ambiente apresentava forte odor característico de restos de animais em decomposição e da atividade de abate.

Nenhuma pessoa estava na propriedade no momento da chegada da equipe.
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Carne dos animais abatidos era destinada aos açougues
Após conversarem com moradores da região, os policiais receberam informações de que a propriedade pertenceria a um homem conhecido por possuir dois açougues em Cabeceiras.
A equipe foi até um dos estabelecimentos indicados. O comércio estava fechado, mas os militares observaram uma estrutura aparentemente destinada à secagem de carne.
No local, os policiais conversaram com o filho do proprietário, de 26 anos, que prestou esclarecimentos sobre as atividades desenvolvidas pela família.
Segundo o relato registrado pelos militares, o jovem afirmou que ele e o pai trabalhavam com compra e venda de gado e realizavam o abate de aproximadamente dois bovinos por semana na propriedade rural.
Questionado sobre o procedimento utilizado, ele relatou que os animais eram inicialmente atingidos com machado ou marreta para ficarem atordoados. Em seguida, era utilizada uma faca para realizar a sangria.
O jovem também informou que a família comprava carnes de frigoríficos acompanhadas de notas fiscais. Entretanto, confirmou, segundo o registro policial, que a carne proveniente dos animais abatidos na propriedade rural também era destinada à comercialização nos açougues da família.
Resíduos eram enterrados e queimados, segundo relato
Outro aspecto identificado durante a apuração foi a destinação dos resíduos dos animais abatidos.
Conforme o relato prestado aos policiais, as carcaças eram colocadas em um buraco na propriedade e posteriormente queimadas com o auxílio de gasolina. Os couros bovinos eram salgados para posterior comercialização.
Ao ser questionado sobre a regularidade da atividade, o jovem reconheceu que o abatedouro não possuía licença ambiental para funcionar.
Agrodefesa já havia fiscalizado a propriedade
Durante a ocorrência, a equipe da Polícia Militar Ambiental entrou em contato com a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa).
Segundo as informações repassadas pelo órgão aos policiais, uma fiscalização já havia sido realizada na propriedade em junho. Na ocasião, foram lavrados autos de infração e apreendidas carnes consideradas impróprias para comercialização e consumo.
A informação indica que o imóvel já havia sido alvo de medidas administrativas relacionadas às condições da atividade.
Caso foi encaminhado para providências legais
Diante dos indícios encontrados, a Polícia Militar Ambiental lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) em relação ao responsável identificado no registro, de 26 anos, pela possível prática do crime previsto no artigo 60 da Lei nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais. O dispositivo trata da construção, instalação, ampliação ou funcionamento de estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores sem licença ou autorização ambiental, quando exigida.
O procedimento foi encaminhado para as providências legais, com participação da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente.
Além da questão ambiental, as condições de abate, manipulação, armazenamento e comercialização da carne poderão ser objeto de apuração pelos órgãos competentes, inclusive quanto ao cumprimento das exigências sanitárias e de defesa agropecuária.
A ocorrência, por si só, não representa uma condenação criminal. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e dos procedimentos legais cabíveis.
A defesa dos acusados não foi localizada para falar sobre o caso.





